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O presidente Lula recebeu das mãos do presidente da CUT/ES uma carta com reivindicações apresentadas pela Central. Durante a visita de Lula ao Espírito Santo, José Carlos Nunes, presidente da CUT/ES, buscou uma forma de se encontrar com o presidente a fim de entregar pessoalmente o documento. Leia abaixo a íntegra da carta entregue a Lula. Vitória, ES – 06 de março de 2009 Exmo Sr. Presidente da República Federativa do Brasil Luis Inácio Lula da Silva A Central Única dos Trabalhadores do Espírito Santo se dirige a V. Exa. no sentido de externar preocupações que afligem a classe trabalhadora no Estado. Queremos abordar com nosso presidente da república três pontos a saber: CRISE FINANCEIRA MUNDIAL E DEMISSÕES NO ESTADO A Vale, uma das maiores empresas do país, anunciou medidas para enfrentar a crise que afetavam diretamente a vida dos trabalhadores. A mais contundente delas foi a de deixar seus empregados em casa durante seis meses, recebendo metade de seus salários. Com a interferência de V. Exa, a direção da empresa recuou de tal medida. No entanto, a empresa reformulou seus contratos com terceirizadas, o que tem gerado muitas demissões, principalmente no ramo metalúrgico, representado no Estado por um combativo sindicato filiado à CUT. Para se ter uma idéia da gravidade do quadro, a empresa NM, prestadora de serviços para a Vale, que tinha 1.200 funcionários, hoje está com apenas 80. Ao todo, cerca de 2,8 mil trabalhadores metalúrgicos terceirizados perderam seus empregos nos últimos meses. Há também a preocupação de que essas demissões se estendam para outros ramos de atividades na Vale, como o dos companheiros de asseio e conservação, da construção civil, entre outros. Outros setores apresentam tendências a reforçar o quadro de desemprego no Estado. A Imetame, uma empresa metalúrgica que atuou mais de dez anos na Aracruz Celulose, hoje já não mais atua naquela empresa e rescindiu todos os contratos terceirizados na Aracruz Celulose. Vale reforçar que os problemas da Aracruz relativos à crise dizem respeito a investimento em títulos futuros feitos pela empresa no setor especulativo. No setor do mármore e granito também se verificam demissões e ameaças de cortes de direitos, inclusive com propostas de redução salarial. Não custa lembrar que nosso Estado tem nas exportações grande parte de sua economia, justamente um setor bastante afetado com a crise financeira mundial. Nesse sentido, gostaríamos de solicitar alguma forma de intervenção da Presidência da República, de forma a buscar a preservação do postos de trabalho no Espírito Santo. BANESTES Os trabalhadores capixabas, representados pela CUT/ES, vêem com apreensão o processo de vendo do Banco Estadual, Banestes, ao Banco do Brasil nesse momento. Ainda que respaldados na promessa de não se cortar postos de trabalho, tal aquisição não nos parece ocorrer em momento propício, já que pode resultar em fusão ou fechamento de agências em municípios nos quais os dois bancos já atuam. Vale ressaltar aqui a importância do Banestes como banco regional e como instrumento de fomento da economia local, com um importante histórico de serviços prestados ao povo capixaba. Sugerimos ainda que qualquer processo de venda do Banestes passe por consulta ao povo capixaba, legítimo proprietário do banco. OBRAS DO PAC NO ESPÍRITO SANTO Os trabalhadores capixabas têm acompanhado atentamente a determinação da Presidência da República em não abrir mão de investimentos embutidos do Plano de Aceleração do Crescimento. Dessa forma, também solicitamos que as obras do PAC previstas para o Espírito Santo mantenham seu ritmo e garantam geração de emprego e renda para os capixabas. Diante do exposto, a Central Única dos Trabalhadores reitera seu respeito ao Presidente da República do Brasil, companheiro Luis Inácio Lula da Silva, bem como o saúda em sua 10ª visita ao Estado do Espírito Santo, prova do compromisso do companheiro com o desenvolvimento econômico e social para o povo capixaba. Atenciosamente José Carlos Nunes Presidente da CUT/ES
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