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A violência nas escolas ganhou mais uma vez as páginas dos jornais capixabas, desta vez com o inusitado fato de uma diretora escolar ser vítima de tiros dentro da escola, em horário de trabalho. No entanto, infelizmente esse não é um fato isolado. A violência nas escolas e em seus arredores é objeto de constantes e permanentes denúncias das entidades representativas do magistério. Pelo fato de a escola concentrar um grande número de jovens e adolescentes, seu espaço é permanentemente assediado por várias formas de tentativa de cooptação, entre elas o tráfico de drogas. Esse assédio se dá de forma mais visível nos arredores das escolas, não sendo contudo difícil a sua identificação intra-muros escolares. Nessa ciranda de situações de violência o professor passa a ser alvo de ataques de toda sorte. Em muitos casos, situações de violência vividas em casa ou na rua se reproduzem dentro das escolas, sendo o educador uma vítima em potencial. Não se conta também, nos dias atuais, com a reverência à função desenvolvida pelo mestre. Nesse contexto, o espaço da escola deixa de ser visto como um instrumento para a formação cidadã. Ela torna-se um apêndice de um sociedade violenta, cujas relações ali também se reproduzem. Oxalá a violência sofrida pela diretora Etevalda fosse um fato isolado. Não é. Ela se insere numa realidade que cobra das autoridades maior cuidado com a escola pública, com seu espaço físico de vivência cotidiana, com seus profissionais e alunos. A educação de qualidade exige investimentos necessários à formação cidadã e técnica. A escola, assim como a universidade, não pode se transformar em um espaço à mercê da ação de bandidos. Não é possível que profissionais da educação, mulheres em sua grande maioria, continuem a ser intimidados de forma ostensiva, a serem vítimas da banalização da violência nas escolas e em seus arredores. Esses espaços são poucos e é possível, sim, uma ação governamental que ofereça segurança a professores e alunos. Em recente pesquisa realizada, chamada “Retratros da Escola”, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) identificou situações de violência nas escolas em todo o país. Tais situações apontam para um diagnóstico preocupante, que é o fato de unidades escolares se tornarem alvos preferenciais para ações delinqüentes. Escolas sem aulas por “ordens” de bandidos, assaltos, seqüestros relâmpago, ameaças, agressões, tiros e assassinatos dentro das escolas devem, necessariamente, gerar na sociedade sentimento de repulsa e de mobilização por mudança. De sua parte, o poder público precisa intervir e tomar uma atitude firme contra a violência nas escolas, sob pena de, em pouco tempo estarmos chorando a morte de alunos ou professores. Nossa solidariedade à professora Etevalda deve se dar de forma reivindicativa, a fim de que ela possa, após se restabelecer, encontrar um ambiente de trabalho seguro, no qual o compromisso com a educação seja a principal meta.
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